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Reforma Tributária: por que o setor comercial também precisa estar preparado?

Blog Duarte Benetti 25 set 2026 7 min de leitura

Quando se fala em Reforma Tributária, é comum que a primeira preocupação esteja relacionada ao setor fiscal, contábil ou financeiro.

Mas existe outra área que também precisará acompanhar de perto essa transformação: o setor comercial.

Isso porque mudanças na tributação podem ultrapassar o cálculo dos impostos e chegar à formação de preços, às negociações com clientes, aos contratos e à avaliação da rentabilidade das operações.

A partir de 2026, o novo modelo começa a entrar em fase de implementação, com a introdução da CBS e do IBS e a adaptação gradual das empresas às novas regras e obrigações.

Nesse cenário, entender a Reforma Tributária deixa de ser uma preocupação exclusivamente fiscal e passa a fazer parte também das decisões estratégicas do negócio.

A negociação não termina no preço

Uma negociação comercial não deve considerar apenas o valor que será apresentado ao cliente.

É preciso analisar o impacto daquela operação sobre a margem, a tributação, os créditos envolvidos, as condições comerciais e a própria rentabilidade do negócio.

Com a transição para o novo sistema, essa análise ganha ainda mais importância.

Uma condição comercial que parece interessante para o cliente pode produzir um resultado diferente para a empresa quando todos os impactos tributários e operacionais são considerados.

Por isso, o setor comercial precisa ter acesso às informações necessárias para tomar decisões com mais segurança.

O perfil do cliente também importa

Quem está comprando?

Essa pergunta pode ganhar ainda mais relevância durante a transição.

Uma operação realizada com uma pessoa física possui características diferentes de uma operação realizada com outra empresa. No novo modelo, o tratamento dos créditos de IBS e CBS também passa a fazer parte da análise de determinadas operações.

A legislação prevê, por exemplo, a apropriação de créditos pelo contribuinte do regime regular em determinadas aquisições de bens e serviços de empresas do Simples Nacional, observadas as regras aplicáveis.

Isso significa que o perfil do cliente pode entrar na análise comercial e tributária da operação.

Formação de preço e margem

Se os componentes tributários de uma operação mudam, a empresa precisa avaliar se a sua formação de preços continua adequada.

Isso não significa simplesmente aumentar ou reduzir preços.

Significa entender:

  • qual é o custo efetivo da operação;
  • qual margem a empresa precisa preservar;
  • como os tributos entram na formação do preço;
  • quais créditos podem estar envolvidos;
  • e como a mudança pode afetar a competitividade da empresa.

A formação de preços precisa estar conectada aos números reais do negócio.

Créditos de IBS e CBS podem entrar na negociação

O novo modelo prevê mecanismos de não cumulatividade e apropriação de créditos de IBS e CBS, conforme as regras estabelecidas na legislação.

Na prática, isso significa que algumas empresas poderão considerar os créditos tributários ao avaliar uma aquisição.

Por isso, o comercial precisa compreender que o preço apresentado não é necessariamente o único elemento analisado pelo cliente.

Dependendo da operação e do perfil das empresas envolvidas, o impacto tributário pode fazer parte da própria negociação.

E os contratos de médio e longo prazo?

Outro ponto de atenção está nos contratos que permanecerão vigentes durante diferentes etapas da transição.

Contratos de médio e longo prazo podem atravessar períodos com regras tributárias diferentes.

Por isso, algumas condições podem precisar ser avaliadas novamente, especialmente:

  • preços;
  • reajustes;
  • responsabilidades tributárias;
  • condições comerciais;
  • prazos;
  • e impactos sobre a margem.

A Reforma Tributária terá uma transição gradual, com diferentes etapas previstas entre 2026 e 2033.

Isso torna importante analisar não apenas a realidade tributária de hoje, mas também como determinadas operações podem se comportar ao longo do período de transição.

Comercial, financeiro, contábil e fiscal precisam conversar

A Reforma Tributária também reforça a importância da integração entre as áreas da empresa.

O comercial conhece o cliente e a negociação.

O financeiro acompanha custos, margem e resultado.

O contábil e o fiscal analisam a tributação e seus efeitos.

Quando essas informações não estão conectadas, uma decisão comercial pode ser tomada sem que todos os seus impactos sejam conhecidos.

A própria implementação da Reforma exige adaptação dos sistemas, processos e documentos fiscais das empresas, reforçando a necessidade de preparação operacional.

A estratégia comercial precisa acompanhar a mudança

A Reforma Tributária não deve ser tratada apenas como uma mudança na apuração dos impostos.

Para as empresas, ela também representa um período de revisão de processos, contratos, preços e estratégias.

Por isso, antes de conceder um desconto, alterar um preço, renovar um contrato ou estruturar uma nova operação, vale fazer uma pergunta:

qual será o impacto dessa decisão no resultado da empresa?

Na Duarte Benetti, orientamos empresas na análise dos impactos da Reforma Tributária, buscando conectar as informações contábeis e tributárias às decisões do negócio.

Porque informação tributária, quando analisada de forma estratégica, pode contribuir para decisões comerciais mais conscientes e alinhadas aos objetivos da empresa.

Sua empresa já está preparando o setor comercial para esse novo cenário?